50 anos

UnB foi a primeira a adotar o sistema de cotas no vestibular, de maneira a promover a inclusão de negros e indígenas. Também foi a primeira a se pensar de forma autônoma como instituição.

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A Universidade de Brasília tem compromisso com a inovação desde foi fundada, em 1962. Os idealizadores, o antropólogo Darcy Ribeiro e o educador Anísio Teixeira, pretendiam uma experiência diferenciada em ensino superior, unindo o que havia de mais moderno em pesquisa tecnológica a uma produção acadêmica comprometida com a realidade brasileira. O espírito de modernidade que moveu a construção de Brasília também marcou a concepção da UnB.

Darcy Ribeiro e Anísio Teixeira convidaram artistas, professores e pesquisadores influentes em suas respectivas áreas para ajudar na implantação dos cursos e assumirem as salas de aula da Universidade. De maneira precursora, a UnB foi organizada como Fundação, valorizando a autonomia administrativa. Para Darcy Ribeiro, a Universidade deveria “reger a si própria, livre e responsavelmente, não como uma empresa, mas como um serviço público e autônomo”.

O Golpe Militar de 1964 ameaçou abafar a utopia dos fundadores da UnB. A proximidade com o centro do poder fez com que a Universidade fosse visada pelo governo. O campus foi cenário de invasões das tropas militares que buscavam estudantes e professores. Em 1965, 223 professores demitiram-se em solidariedade a 15 colegas que haviam sido afastados, segundo o então reitor Zeferino Vaz, como “medida disciplinar”. Na ocasião, a Universidade de Brasília, ainda em processo e implantação, perdeu 80% de seu quadro docente, agravando o clima de instabilidade.

A invasão mais violenta aconteceu em 1968. Na ocasião, agentes das polícias Militar, Civil, Política (Dops) e do Exército invadiram a UnB e detiveram mais de 500 pessoas na quadra de basquete. Um estudante foi baleado. As invasões só acabaram quando iniciou a abertura política no Brasil, em 1979.

Dentro da Universidade, a volta à democracia começou quando Cristovam Buarque se tornou o primeiro reitor eleito pela comunidade universitária, em 1984. Após 20 anos de ditadura, a UnB enfrentava o desafio de reerguer-se como a instituição de vanguarda idealizada por seus fundadores. Cristovam reincorporou simbolicamente os professores que participaram da demissão em massa de 1965. O corpo docente aumentou em 50% e, em cinco anos, o número de vagas de graduação aumentou de 210 para 1.035. O número de disciplinas ofertadas também cresceu e passou de 1.549 para 2.089.

Nas últimas décadas, a Universidade tem cumprido a função de levantar o debate sobre temas polêmicos na sociedade. Em 1996, a UnB implementou o Programa de Avaliação Seriada (PAS), uma alternativa ao vestibular, tradicional forma de ingresso no ensino superior. A instituição também foi a primeira a adotar o sistema de cotas no vestibular, de maneira a promover a inclusão de negros e indígenas, em 2003.

Graduação e pós estão no ranking QS Top Universities, que classificou a UnB como quarta universidade do país e 11ª na América Latina.

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Cinquenta anos após a fundação, a Universidade de Brasília consolidou-se como referência de qualidade em educação superior. As ideias de Darcy Ribeiro e Anísio Teixeira saíram do plano da utopia para concretizar-se no dia a dia da Universidade. Hoje, a UnB conta com 1.683 professores, 30.727 alunos regulares e 8.913 de pós- graduação.

Os 105 cursos de graduação oferecidos pela instituição estão divididos entre quatro campi espalhados pelo Distrito Federal: Darcy Ribeiro (Asa Norte), Planaltina, Ceilândia e Gama. A instalação de campi em outras cidades do Distrito Federal faz parte do projeto de expansão da UnB e tem como objetivo ampliar as atividades de ensino, pesquisa e extensão em diferentes comunidades locais.

A qualidade na graduação e pós-graduação foi recentemente reconhecida no ranking QS Top Universities de instituições de ensino superior, que listou a UnB como a quarta melhor do país e a 11ª da América Latina. A avaliação considera a quantidade de artigos científicos publicados pelos pesquisadores da universidade, citações em revistas científicas, a quantidade de professores com doutorado e pós-doutorado, além da reputação acadêmica, medida por meio de pesquisas com acadêmicos e empresas. Atualmente a UnB oferece 147 cursos de pós-graduação stricto sensu e 22 especializações lato sensu.

A Campanha de Boas-Vindas aos calouros do 1º/2012 também marcou o início das comemorações dos 50 anos da instituição. Neste semestre, o slogan “Só se for agora” traduz a ideia de consolidação da Universidade de Brasília a partir dos ideais de seus fundadores, ao mesmo tempo, abrindo espaço para novas utopias. A campanha, focada em pessoas comuns que vivenciam a Universidade, reuniu palavras que alunos, professores e funcionários associam à UnB. Para os entrevistados, ideias como inovação, rebeldia, utopia, diversidade, modernidade, conquista, ruptura e ebulição são marcas da Universidade de Brasília.

A Universidade de Brasília ganhou uma marca à altura de sua trajetória para marcar o ano em que completa 50 anos.

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Lançada em dezembro do ano passado para abrir as celebrações do jubileu, a imagem traz em cores e formas a riqueza da história protagonizada pela instituição desde a criação, em 21 de abril de 1962, até os dias de hoje.

O desafio de representar 50 anos de história em uma imagem foi encarado pela dupla de designers brasilienses Pablo Júlio e Esteban Pinilla. Formados em Publicidade pela UnB, os sócios, que comandam a Anticorp Design buscaram inspiração em palavras e conceitos que representam o espírito da Universidade. Democrática, diversa, emancipatória, humanista, rebelde e produtiva foram algumas das características levantadas pelos criadores.

KA nova marca não substitui os traços tradicionais do símbolo da UnB, inspirado no formato de avião de Brasília e esboçado pelo urbanista Lucio Costa no início da década de 1960. A peça multicolor, representada por um grafismo multicolorido – como se fossem caixas sobrepostas - é um elemento a mais na identidade visual da universidade e já faz parte das ações e documentos produzidos pela instituição em 2012.

Estrategicamente planejada, a logomarca permite versatilidade no uso e pode ser reproduzida em cores, preto e branco, na horizontal e na vertical. O espírito progressista de Darcy Ribeiro, um dos idealizadores do projeto revolucionário que caracterizou a UnB, também aparece estampado na logomarca. O desenho deve ser complementar ao ícone verde-azul da Universidade de Brasília, vindo sempre ao lado dele.

Um produto da Secretaria de Comunicação da Universidade, a marca passou pelo crivo da Comissão UnB 50 anos, onde recebeu propostas de alteração nas cores: na proposta anterior havia um tom de rosa que não agradou aos integrantes. A percepção da forma final, avaliam os criadores, se dá de maneira subjetiva, de acordo com o que se conhece da Universidade. É visível nos traços arrojados, por exemplo, tanto a preocupação em valorizar a história como a de transmitir a ideia de projeção para o futuro que traçará os próximos 50 anos da UnB.

Pablo e Esteban acham que a logomarca representa bem a UnB, principalmente na questão da “rebeldia criativa”, tanto que rapidamente se incorporou à paisagem e ao entorno da Universidade. Ela agora aparece nas canecas que os calouros receberam como presente de boas-vindas, nos cartazes e em eventos promovidos pelos estudantes.